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sábado, 14 de fevereiro de 2026

NINGUEM FOGE DE SI MESMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Falando sobre diferentes estados da alma no Mundo Espiritual no comentário com que abre o capítulo três d’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec explica que “as diferentes moradas na casa do Pai referidas por Jesus são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento”. Salienta, contudo, que “independente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz ou infeliz dos Espíritos no Mundo Espiritual. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver o aspecto das coisas, as sensações que experimentar as percepções que possuir tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundo(...). Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas”. Apesar de essas ponderações terem sido escritas há mais de cento e cinquenta anos, de certa maneira, vem sendo cogitadas atualmente por estudiosos da Física Quântica através dos Universos Paralelos propostos pela Teoria da Supercordas, chegando a afirmar que “mesmo que as dimensões ocultas do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. O Espiritismo, por sinal demonstra através de milhares de depoimentos e exemplos que para essa realidade voltaremos, pois dela viemos. Tantas vezes quanto for necessário para atingirmos melhores níveis de evolução espiritual. Tudo isso pela lentidão com que trabalhamos conscientemente para nos livrarmos dos “efeitos” daquilo que “causamos” nas ações deliberadamente assumidas, intencionalmente ou não. E na saída constataremos que “cada qual, como acontece no nascimento, tem a sua porta adequada para ausentar-se do Plano Físico”, como explica o Espírito Abel Gomes, em mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier, inserida no livro FALANDO Á TERRA (feb,1951). Segundo ele, “as inteligências no Plano Espiritual se agrupam segundo os impositivos da afinidade, vale dizer, consoante a onda mental, ou frequência vibratória, em que se encontram”. Em outras palavras, “cada tipo de mente vive na dimensão com que se harmonize”, em “organizações que obedecem à densidade mental dos seres que as compõem”. Ilustrando seu texto com alguns exemplos, conta num deles que “algumas entidades presas ao remorso por delitos praticados, improvisam, elas mesmas, com as faculdades criadoras da imaginação, os instrumentos de castigo, dos quais se sentem merecedoras, com antigo sertanejo do interior de Minas Gerais, que impunha serviço sacrificial aos seus empregados de campo, mais por ambição de lucro fácil na exploração intensiva da terra que por amor ao trabalho, deixou recheados cofres aos filhos e netos; mas, transportado à esfera imediata e ouvindo grande número de vozes que o acusavam, tomou-se de tão grande arrependimento e de tão viva compunção, que plasmou, ele mesmo, uma enxada gigantesca, agrilhoando-a às próprias mãos, com a qual atravessou longos anos de serviço, em comunhão com Espíritos primitivos da Natureza, punindo-se e aprendendo o preço do abuso na autoridade”. Outro envolve “orgulhosa dama, que conheceu pessoalmente e a quem humilde e nobre família deve a morte de nobre mulher, vitimada pela calunia, em desencarnando e conhecendo a extensão do mal que causara, adquiriu para si o suplício da vítima, por intermédio do remorso profundo em que se mergulhou, estacionando por mais de dois lustros em sofrimento indescritível”. Lembra o caso de “velho conhecido que assassinou certo companheiro de luta, em deplorável momento de insânia, e, não obstante ver-se livre da justiça humana, que o restituiu à liberdade, experimentou longo martírio da consciência dilacerada, entregando-se, por mais de quatro decênios, à caridade com trabalho ativo para bem do próximo. Com semelhante procedimento, granjeou a admiração e o carinho de vários Benfeitores da Espiritualidade Superior, que o acolheram, solícitos, quando afastado da experiência física, situando-o em lugar respeitável, a fim de que pudesse prosseguir na obra retificadora. Pelos fios da amizade e da colaboração que soube tecer, em volta do coração, para solucionar o seu caso, conseguiu recursos para ir no encalço da vítima, que a insubmissão havia desterrado para fundo despenhadeiro de trevas e animalidade. Não se fez dela reconhecido, de pronto, de modo a lhe não perturbar os sentimentos, auxiliando-a a assumir posição de simpatia necessária à receptividade dos benefícios de que era portador; e, após lutar intensivamente pela sua transformação moral, em favor do necessário alçamento, voltará às lides da carne, a fim de recebê-la nos braços”. Enfim, como vemos, no caminho do progresso espiritual, os efeitos correm sempre atrás das causas.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Acho deprimentes essas encenações da paixão e morte de Jesus, sempre  apresentadas com muito realismo por grupos de teatro e pelo cinema, quase sempre atraindo grande público. Eu pergunto: que mãe ou que pai suportaria ver retratado todos os anos o martírio de seus filhos?

Veja a que ponto chega a fé, quando não está aliada à razão. Esse estranho comportamento dos fiéis se deve ao fato de que há séculos a religião estabeleceu como dogma a ideia de que Deus precisou enviar seu filho Jesus à Terra para salvar o homem da perdição, já que ele, o homem, não podia ele mesmo salvar-se a si próprio.

Segundo essa crença, o homem já nasce marcado pelo pecado original derivado do erro de Adão e Eva, e disso decorreu essa submissão de Jesus ao extremo sacrifício, respondendo assim pelos pecados da humanidade. Por isso Jesus é chamado de redentor ou salvador.

Mas para que essa concepção pudesse se consolidar na consciência dos fiéis, era preciso repetir indefinidamente a trajetória da cruz, para que eles não se esquecessem que Jesus sofreu por eles e que por isso deveriam cultivar na sua consciência um sentimento de culpa.

É claro que a concepção espírita a respeito de Jesus nada tem a ver com pecado ou redenção humana. Para a doutrina Jesus é um Espírito puro, que encarnou na Terra para trazer a maior lição moral que a humanidade já conheceu, a do amor ao próximo que redunda na vivência e na prática do bem.

Jesus não sofreu para nos redimir dos pecados. No entanto, sua vida, martírio e morte demonstraram o quanto nós, humanidade, estávamos e ainda estamos atrasados em desenvolvimento espiritual e, por outo lado,  o quanto podemos aprender com seu exemplo de vida.

Para a doutrina Jesus foi o maior mestre da História, que viveu o que ensinou, mas que não obrigou ninguém a segui-lo; apenas recomendou que nos amássemos uns aos outros para alcançarmos a felicidade.

Por isso, devemos reverenciar Jesus vivo, rememorar seus ensinamentos, seguir seu exemplo, e tomá-lo como modelo e guia para a nossa vida. Seu martírio e morte apenas demonstram o nosso atraso moral que, em todo momento da História, perseguiu e sacrificou aqueles que ousaram defender o bem e da verdade.

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