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domingo, 27 de setembro de 2020

ALLAN KARDEC E O PENSAMENTO; SOBREVIVERAM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 




 (Laura Beatriz Bancchieri) Por que nas igrejas evangélicas acontecem com frequência os milagres de cura e no Espiritismo não?

 Primeiro, Laura, porque o Centro Espírita, quando assentado sobre as obras de Allan Kardec,  não procura fazer adeptos mediante a propaganda de curas espirituais. Um centro, que estabelecesse como principal meta a cura de doenças, estaria fora das reais finalidades da Doutrina Espírita.

As pessoas, que se aproximam do Espiritismo, passam a frequentar o centro quando convencidas pela razão, pelo sentimentos que a doutrina proclama e não por meros fenômenos. Quando a cura acontece no meio espírita, o bom senso nos manda tratar a questão com muito cuidado e discrição, a fim de que o centro não se transforme em local de romaria e facilite o envolvimento das pessoas em outros interesses.

Segundo, porque a finalidade do Espiritismo é a cura da alma e não propriamente a cura do corpo. Quando esta ocorre – e isso também acontece no meio espírita – o fato deve guardar a devida discrição, pois ninguém deve prometer cura a ninguém, mas deve se comprometer com o seu tratamento -  seja material, através da medicina; seja espiritual, por meio da assistência religiosa..

As chamadas curas espirituais não são obtidas propriamente pelos líderes religiosos ( rabinos, padres ou pastores), como às vezes se costuma propagar ´para dar credibilidade a determinada igreja.  Jesus, que era Jesus, e que não pertencia a nenhuma igreja ou seita, nunca disse que curou alguém, nunca chamou para si esse mérito de curador; ele apenas confirmava que é a fé do paciente que o curou. Logo, toda cura vem de dentro e não de fora.

Todos nós, embora a maioria ignore, somos dotados de capacidade de autocura.  Isso não é nenhum milagre, mas apenas mais um mecanismo de que a  natureza se vale para restabelecer a saúde, tanto quanto possível, já que a morte é certa e inevitável.  Quando esse mecanismo é acionado por uma fé atuante, ele pode promover certos fenômenos no organismo, restaurando tecidos ou órgãos e promovendo a saúde. É preciso saber, no entanto, duas coisas importantes: se houve realmente cura ou foi apenas impressão; e se a cura é passageira ou é duradoura.

No passado, quando não havia médicos como hoje, nem atendimento à saúde da população, as pessoas recorriam às igrejas e aos curandeiros para obter curas. Vez ou outra logravam sucesso, que acabavam se espalhando com facilidade. Hoje, a medicina, com todo progresso que vem alcançando nos últimos anos, é a forma como Deus nos atende, utilizando essa preciosa  ciência como instrumento de cura ou de alívio para nossos males. Chico Xavier sempre recorreu aos médicos e nunca quis ser tratado por nenhum médium. Com isso, ele viveu 92 anos.


















sábado, 26 de setembro de 2020

UMA VERDADE INCONVENIENTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Artigo assinado por Allan Kardec, no número de agosto de 1859 da REVISTA ESPÍRITA esclarece: -“ Desde que os Espíritos não são senão os próprios homens despojados do seu invólucro grosseiro ou almas que sobrevivem aos corpos, segue-se que há Espíritos, desde que há seres humanos no Universo”. Diante dessa ponderação acrescenta: -“É preciso não perder de vista que os Espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se em tudo quanto fazemos. Se se viesse a levantar o véu que nô-los oculta, vê-los-íamos em redor de nós, indo e vindo, seguindo-nos, ou nos evitando segundo o grau de simpatia; uns indiferentes, verdadeiros vagabundos do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos, quer com os homens, aos quais se ligam, com um propósito mais ou menos louvável, segundo as qualidades que os distinguem. Numa palavra veríamos uma réplica do gênero humano, com suas boas e más qualidades, com suas virtudes e com seus vícios. Este acompanhamento, ao qual não podemos escapar, porque não há recanto bastante oculto para se tornar inacessível aos Espíritos, exerce sobre nós, queiramos ou não, uma influência permanente. Uns, nos impelem para o Bem, outros para o mal; muitas vezes as nossas determinações são resultado de sua sugestão; felizes quando temos juízo bastante para discernir o bom e o mau caminho, por onde nos procuram arrastar”. Décadas depois, um médium brasileiro – Chico Xavier -, começa a verter para nossa Dimensão uma série de livros – NOSSO LAR -, elaborados por um médico – André Luiz - desencarnado em meados dos anos 30, com fins de despertamento da Humanidade visto que a evolução do materialismo a afastava cada vez mais das questões espirituais. Tais narrativas resultaram em treze obras reunindo inúmeros casos que exemplificam a interação comentada por Allan Kardec. Selecionamos algumas dessas cenas para que se tenha uma ideia de como funciona tal interação: CASO 1 - NA VIA PÚBLICA: -“No longo percurso, através de ruas movimentadas, surpreendia-me, sobremaneira, por se me depararem quadros totalmente novos. Identificava, agora, a presença de muitos desencarnados de ordem inferior, seguindo os passos de transeuntes vários, ou colados a eles, em abraço singular. Muito se dependuravam a veículos, contemplavam-nos outros, das sacadas distantes. Alguns, em grupos, vagavam pelas ruas, formando verdadeiras nuvens escuras que houvessem baixado repentinamente ao solo. Assustei-me. Não havia notado tais ocorrências nas excursões anteriores ao círculo carnal. (...) Não dissimulava, entretanto, minha surpresa. As sombras sucediam-se umas às outras e posso assegurar que o número de entidades inferiores, invisíveis ao homem comum, não era menor, nas ruas, ao de pessoas encarnadas, em continuo vaivém (...). Tinha a impressão nítida de havermos mergulhado num oceano de vibrações muito diferentes, onde respirávamos com certa dificuldade”. CASO 2 - NUMA RESIDÊNCIA COMUM : -“A família, constituída da viúva, três filhos e um casal de velhos, permanecia à mesa de refeições, no almoço muito simples. Entretanto, um fato, até então inédito para mim, feriu-me a observação: seis entidades envolvidas em círculos escuros acompanhavam-nos ao repasto, como se estivessem tomando alimentos por absorção.(...) Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantém ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e, dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico”. CASO 3 - NUM RESTAURANTE: -“Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós, indefinível mal estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcóolatras impenitentes”. CASO 4 - NUM HOSPITAL: -“A enfermaria estava repleta de cenas deploráveis. Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, lhes infringindo padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando e perseguindo-os”. CASO 5 - NUMA CASA NOTURNA: -“Champanha correndo e música lasciva. Entidades perturbadoras e perturbadas, jungidas ao corpo de bailarinos, enquanto outras iam e vinham, a se inclinarem sobre taças, cujo conteúdo lábios entediados não haviam conseguido sorver totalmente. Em recanto multicolorido, onde algumas jovens exibiam formas seminuas em coleios esquisitos, vampiros articulavam trejeitos, completando, em sentido menos digno, os quadros que o mau gosto humano pretendia apresentar, em nome da arte. Tudo rasteiro, impróprio, inconveniente”. CASO 6 - MULHER, FAIXA DOS 50 ANOS, CASADA DEVANEANDO SOBRE AMOR PLATÔNICO : - “Dona Marcia parecia regressar de outro país. Adereçada, sorridente. Os cabelos em penteado excêntrico lhe realçavam a graça, remoçando-a inteiramente. Harmonizava-se a maquiagem com o róseo vestido novo. O porte se lhe erguia nos sapatos de salto alto, com a esbelteza da cegonha jovem, quando caminha descuidada em campo livre. Exibia cores, destilava perfumes. Contudo, a flor humana em que se metamorfoseara não escondia para nós as larvas que a carcomiam. Jazia Dona Marcia assessorada por pequena corte de vampirizadores desencarnados que lhe alteravam a cabeça”.


 Se, quando chegarmos no mundo espiritual, depois da morte, vamos colher as consequências dos erros cometidos nesta vida, que não são poucos, isso não basta para o Espírito evoluir? Por que precisamos reencarnar?

Esta pergunta é interessante, porque nos leva a uma análise um pouco mais profunda sobre a necessidade da reencarnação. N’O LIVRO DOS ESPÍRITOS  de Allan Kardec lemos que o retorno do Espírito à vida corporal – ou seja, a reencarnação – não é uma escolha nossa, é uma necessidade para a nossa evolução, tanto no sentido intelectual como no sentido moral. Independente disso, sabemos que, partindo para o mundo espiritual, sofreremos  as consequências do que fizemos ou deixamos de fazer nesta vida.

 Contudo, devemos considerar que há certos problemas e certas metas a alcançar que só se resolvem nesta vida física, quando estamos encarnados. É na experiência terrena, aliás, que desenvolvemos as potencialidades mais profundas do Espírito, passando pela fase do instinto e chegando à razão e aos ideais superiores. O corpo serve de proteção para o Espírito suportar certos impactos que, no plano espiritual, não lhes seriam suportáveis; nossa inteligência e nossas habilidades são desenvolvidas aqui em meio a problemas e dificuldades; e é na experiência terrena que esquecemos o passado para termos condições de sonhar com o futuro.

  André Luiz, em EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, interpreta a vida terrena como estimuladora das potencialidades básicas do Espírito. É aqui que ele desperta suas qualidades passando do instinto à razão, da razão aos ideais superiores, sofrendo a injunção do meio em que vive, experimentando obstáculos naturais, como as enfermidades, os acidentes e as limitações, para estimular capacidades que ainda não adquiriu. Desse modo, no estágio evolutivo em que nos encontramos atualmente, temos mais condições de crescer enquanto encarnados.

 Podemos até considerar que o mundo espiritual funciona como uma escola, onde vamos aprender a descortinar a vida de um ângulo mais amplo, entrando no conhecimento de várias matérias. Na escola o aluno se esforça para aprender. Mas é aqui, na vida terrena, que colocamos em prática o que aprendemos lá, como se estivéssemos passando por um estágio, aplicando na vida a base de conhecimento adquiridos.

 No livro SEXO E DESTINO,  André Luiz refere-se a um instituto de educação no plano espiritual próximo ao Rio de Janeiro, chamado “Almas Irmãs” , onde Espíritos daquela região frequentam cursos especializados em educação sexual.  O objetivo desse instituto é fazer com que os Espíritos, que por lá passam, reencarnem para pôr em prática o que aprenderam. No entanto, o índice de aproveitamento, quando reencarnam, ainda é relativamente baixo, o que demonstra a dificuldade dos Espíritos se auto reformularem.  Geralmente, eles têm que voltar várias vezes para vencer certas tendências prejudiciais.



 

















sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O LIVRO DOS ESPÍRITOS; DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 




Pergunta da Laura Beatriz Bancchieri: “ Por que o Espiritismo não acredita em milagres, nem na existência do diabo e dos anjos?

 Para a Doutrina Espírita, Laura, tudo que Deus criou já é milagre. O milagre não está apenas e tão somente naquele fato extraordinário em que um doente é curado com uma oração ou quando um problema é resolvido de uma forma que ninguém consegue compreender. O milagre está no funcionamento da própria lei de Deus: no Sol que se põe, no dia que amanhece, na criança que sorri, na semente que germina, na beleza da paisagem, na inteligência do homem – enfim, em toda a natureza.

 Deus é o milagre. Ele criou leis perfeitas que, de tão perfeitas, muitas delas ainda não entendemos e, com  certeza, estamos longe de entender: isso, sim,  é milagre. Se as suas leis são perfeitas, não há porque derrogá-las. Será que Deus precisaria passar por cima de suas próprias leis para provar que é poderoso, se ele já demonstra seu poder através do cumprimento dessas leis? O que é perfeito não precisa ser mudado. Essa idéia de que Deus derroga suas leis para provar seu poder é do homem, que ainda não entendeu de onde veio, por que vive e para onde vai.

 Desse modo, Laura, tudo que acontece em cada instante e em cada fração de segundo em todo este Universo infinito só prova a perfeição de Deus. Se um fato novo surge e não sabemos explicá-lo, não é porque está fora das leis da natureza, mas porque foge à nossa capacidade de entendimento. Muitos fatos do passado, que eram tidos por milagres, hoje já podem ser explicados pela ciência. Quando Jesus dizia às pessoas “a tua fé de curou”, ele estava apenas reafirmando que pensamento humano é capaz de produzir fenômenos. É uma lei de Deus.

 Não acreditamos no diabo da maneira que as religiões pintam. Para o pensamento religioso tradicional, o demônio é um ser voltado eternamente para o mal.  Se isso realmente tivesse acontecido, Deus teria falhado na obra da criação, pois, sendo o demônio uma de suas criaturas, que ele não soube manter junto de si, é sinal que ele não é o detentor do supremo poder.  Portanto, conceber a existência do demônio é negar o poder e a bondade de Deus – é negar Deus.

 Acreditamos, porém, que o mal é produto de nossa imperfeição (dos encarnados e dos desencarnados) e capaz de gerar grandes sofrimentos. Demônios somos todos nós quando nos rebelamos contra a lei do amor, fomentando o ódio, promovendo a perseguição e a violência. Foi nesse mesmo sentido que Jesus, em determinado momento, chamou Pedro de diabo, conforme o evangelho. Contudo, não estamos perdidos. Deus não perde absolutamente nada. Assim como dele tudo saiu, para ele tudo volta. É apenas uma questão de tempo, pois a misericórdia divina nos dá oportunidade de rever nossa postura e retomar o caminho do Bem, num caminhar constante através das reencarnações.

 Anjos, por outro lado são os bons Espíritos, encarnados ou desencarnados, que se fizeram anjos ao longo de sua evolução, que fazem a vontade do Pai e se tornam seus mensageiros, que vêm ao nosso encontro nas horas mais difíceis. Mesmo na Terra há anjos que pregam a paz e a harmonia entre os homens, que defendem os fracos e socorrem os necessitados, que combatem a miséria e a ignorância, e que se sacrificam, se preciso for, para que a humanidade esteja mais próxima de Deus e seja feliz.

 Sendo assim, Laura, a Doutrina Espírita fala da obra milagrosa de Deus, que é a natureza. Tudo, absolutamente tudo que existe, está regulado por leis perfeitas. Até mesmo as curas espirituais, ditas milagrosas que, vez outra acontecem em algum ambiente religioso, nada mais são do que a manifestação das leis da natureza num nível que nem sempre conseguimos entender. Mas, com certeza, podemos assegurar que o amor é o maior milagre do mundo, pois, no fundo, o amor é a própria manifestação de Deus em nós.