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terça-feira, 30 de setembro de 2014

FARÃO PRODÍGIOS

Fechando a edição de julho de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec apresenta mensagem obtida em Grupo Espírita da cidade de Sétif, na Argélia, em que o Benfeitor Espiritual identificado como Santo Agostinho esclarece dúvida acalentada por muitos sobre porque mensagens de conteúdos elevados ou reveladores são recebidas por médiuns que pessoalmente não demonstram nem cultura, nem conhecimentos, nem conduta que os credencie a ser porta-vozes de Espíritos Superiores? O Espiritismo, por sinal, ao definir a mediunidade como instrumento inerente a qualquer criatura humana, revela-a tão neutra como a inteligência ou, por exemplo, como os olhos que podem contemplar o belo e o feio, o certo e o errado. O conceito de moral, como se sabe, é extremamente relativo. Afirma o Instrutor Espiritual:-“Muitas vezes vos admirais ao ver faculdades mediúnicas, físicas ou morais e que, em vossa opinião deveriam ser prova de mérito pessoal, em criaturas que, pelo caráter moral, estão colocadas abaixo de semelhante condição. Isso se deve à falsa ideia que fazeis das leis que regem tais coisas, e que quereis considerar como invariáveis. O que é invariável é o objetivo. Os meios variam ao infinito, para que seja respeitada a vossa liberdade. Este possui uma faculdade; aquele, outra; um é levado pelo orgulho, outro pela cupidez e um terceiro pela fraternidade. Deus emprega as faculdades e as paixões de cada um, e as utiliza em suas esferas respectivas; e do próprio mal sabe fazer sair o Bem. Os atos dos homens, que vos parecem tão importantes, para ele nada são; é a intenção que, aos seus olhos, faz o mérito ou demérito. Feliz, pois, aquele que é guiado pelo amor fraterno. A Providência não criou o mal: tudo foi feito em vista do Bem. O mal só existe pela ignorância do homem e pelo mau uso que faz das paixões, das tendências, dos instintos adquiridos em contato com a matéria. Grande Deus! Quando lhe tiverdes inspirado a sabedoria para ter em mãos a direção desse poderoso móvel – a paixão – quantos males desaparecerão!. Quanto Bem resultará dessa força, da qual hoje não conhece senão o lado mau, que é sua obra. Continuai ardentemente a vossa obra, meus amigos; que, enfim, a Humanidade entreveja a rota na qual deve por o pé, a fim de atingir a felicidade que lhe é dado adquirir nesta Terra! Não vos admireis se as comunicações que vos dão os Espíritos elevados, inteiramente apoiadas na moral do Salvador, vô-la confirmando e a desenvolvendo, vos oferecem tantos pontos de contato e de similitude com os mistérios dos Antigos. É que os Antigos tinham a intuição das coisas do Mundo Invisível e do que deveria acontecer  e que diversos tinham por missão preparar os caminhos. Observai e estudai com cuidado as comunicações que recebei; aceitai o que a razão não recusar; repeli o que a choca; pedi esclarecimentos sobre as que vos deixam na dúvida. Tendes aqui a marcha a seguir para transmitir às gerações futuras, sem medo de as ver desnaturadas, as verdades que separáveis sem esforço de seu cortejo inevitável de erros. Trabalhai, tornai-vos úteis aos vossos irmãos e a vós próprios. Nem podeis prever a felicidade que o futuro vos reserva pela contemplação de vossa obra”. Em comentário posterior, Allan Kardec observa: -“Esta comunicação foi obtida por um jovem, médium sonâmbulo iletrado. Foi-nos enviada por membro da Sociedade Espírita de Paris, residente em Sétif, informando que o sensitivo ignora o sentido da maioria das palavras e relacionando o nome de dez pessoas notáveis, presentes à reunião. Os médiuns iletrados que recebem comunicações acima do seu alcance intelectual são muito numerosos. Mostraram-nos há pouco uma página verdadeiramente notável, recebida em Lyon, por uma senhora que não sabe ler nem escrever, não conhecendo uma palavra do que escreve; seu marido, que é quase como ela, o decifra por intuição, no correr da sessão, o que lhe é impossível no dia seguinte. Outras pessoas a leem sem muita dificuldade. Não está aí a aplicação das palavras do Cristo: -“Vossas mulheres e vossas filhas profetizarão e farão prodígios?”. Não é um prodígio escrever, pintar, desenhar, fazer música e poesia que não se o sabe? Pedis sinais materiais? Ei-los. Dirão os incrédulos que é efeito da imaginação? Se o fosse, haveria que convir que tais pessoas tem a imaginação na mão e não no cérebro. Ainda uma vez, uma teoria só é boa com a condição de explicar todos os fatos. Se um só a contradisser, é que é falsa ou incompleta”.



domingo, 28 de setembro de 2014

SEDUÇÃO FACILITADA PELA CONDIÇÃO EVOLUTIVA


- “Muitas vezes, os próprios Espíritos que escolhemos para determinados labores terrestres não resistem à sedução do dinheiro e da autoridade. Sentem-se traídos em suas próprias forças e se entregam, sem resistência, ao inimigo oculto que lhes envenena o coração”. O comentário incluído no importante livro BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO do Espírito Humberto de Campos, através do médium Chico Xavier, nos auxilia a entender em parte, a razão pela qual grandes personagens do mundo político e social se distanciam dos deveres que a posição ostentada lhes deveria impor . O fato em questão envolvia na segunda metade do século 18, personalidade ligada à Coroa Portuguesa responsável por decisão que resultou na extinção de importante trabalho social conhecido como Missões desenvolvido no sul do Brasil, levando Espíritos desencarnados ligados à causa a questionar Ismael, líder espiritual da nação brasileira, sobre a drástica decisão.  A propósito, riqueza, inteligência, beleza e autoridade, como explicado ao Espírito André Luiz quando de sua visita ao Instituto da Reencarnação ligado à Colônia Nosso Lar, são difíceis desafios a serem vencidos pelos que reencarnam tendo como meta vencer tais provas, como podemos concluir lendo o capítulo doze do livro MISSIONÁRIOS DA LUZ do Espírito André Luiz, através de Chico Xavier. A história da Humanidade registra ascensões espantosas somente explicáveis por ascendentes espirituais, como de Napoleão Bonaparte que, de figura comum, quase inexpressiva no exercito francês, tornou-se Imperador do País ao qual servia. “Um predestinado”, dirão alguns, contudo, a sucessão dos fatos que marcou tal acesso, nos leva a crer ter sido pela interferência e influência de um poder invisível e superior. O caso, por exemplo, da camponesa analfabeta Joana d’Arc que ainda nem bem alcançara a vida adulta, tornou-se líder do exercito francês na luta contra o domínio inglês, na Guerra dos Cem Anos, inspirada e induzida por aqueles que, dos bastidores da evolução cuidavam do desenvolvimento das matrizes genéticas necessárias para o renascimento, séculos depois, dos Espíritos responsáveis pelo Iluminismo, conforme revelação de Chico Xavier, no livro CHICO DE FRANCISCO de Adelino Silveira. Detalhes como estes nos convidam a refletir numa possível orientação da evolução da Humanidade presente no planeta Terra, emanar de outros Planos de Vida. Observando a extraordinária descrição contida no primeiro capítulo do Evangelho do Apóstolo João percebe-se pistas importantes. No versículo três, em se referindo a Jesus, diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, tendo frisado no anterior que “Ele estava no princípio com Deus”, dirimindo dúvidas sobre Jesus e Deus serem os mesmos. Mais à frente no versículo 10, anota que “estava no mundo, o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu”. O “mundo” a que se refere deve ser a Terra que se “feito por ele”, portanto, antes do Planeta começar há quatro bilhões e meio de anos a formar-se fisicamente em nossa Dimensão, o coloca num outro Plano existencial, ou se preferirmos, Universo Paralelo. No substancial livro A CAMINHO DA LUZ (feb,1938) do Espírito Emmanuel, recebido mediunicamente nos primeiros lances da chamada Segunda Guerra Mundial, essas cogitações encontram respaldo quando o Benfeitor Espiritual revela resumidamente do ponto de vista do Mundo Espiritual a evolução planetária e de seus habitantes desde os fenômenos que culminaram em sua formação. Nos dados por ele coligidos está explicitada a presença de Jesus como membro àquela época de uma Comunidade de Espíritos Puros, perante os quais assumiu a responsabilidade de orientar e conduzir uma legião de Espíritos capazes de operar a construção de mais uma habitação entre “as muitas moradas da Casa do nosso Pai”. Como, de acordo com a lógica “nada nasce do nada”, bilhões de anos foram necessários para que a espécie humana se viabilizasse no Planeta há apenas duzentos mil anos. Como perante o relógio do Cosmos “um século é um relâmpago na Eternidade” de acordo com afirmação do Espírito da Verdade n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, os milênios que se seguiram testemunharam as transições de Mundo Primitivo para de Expiação e Provas e, no tempo presente, para de Regeneração. Improvável, absurdo, besteira? Pode ser. Mas pode ser também que essas reflexões estejam rompendo os limites da “letra que mata”, desvendando o “espírito que vivifica”. Para concluir, o argumento com que iniciamos essa postagem completa-se com o seguinte comentário: -“Deixai aos déspotas da Terra a liberdade de agir sob o império da sua prepotência. Por mais que operem dentro de suas possibilidades no Plano Físico, a vitória pertencerá sempre a Jesus”.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

BASTIDORES

A dúvida paira nas cogitações de muitas pessoas: como será o trabalho que afirmam acontece nas atividades públicas desenvolvidas nos Centros Espíritas? Haverá realmente a presença de desencarnados em busca de socorro como ocorre aos encarnados? A resposta naturalmente somente pode ser dada por detentores de apuradas faculdades mediúnicas de clarividência ou que através da psicofonia ou da psicografia, se propõe a fazê-lo. É o caso de que nos serviremos em alguns “flashes”. O relato pertence ao competente Espírito identificado como André Luiz, através do médium Chico Xavier: -“Eram quase vinte horas, quando estacamos `afrente de sóbrio edifício, ladeado por vários veículos. Muita gente ia e vinha. Desencarnados, em grande número, congregavam-se no recinto e fora dele. Vigilantes de nosso Plano estendiam-se, atenciosos, impedindo o acesso de Espíritos impenitentes ou escarnecedores. Variados grupos de pessoas ganhavam ingresso à intimidade da casa, mas no pórtico experimentavam a separação de certos Espíritos que as seguiam, Espíritos que não eram simples curiosos ou sofredores, mas blasfemadores e renitentes no mal. Esse casos, porém, constituíam exceção, porque em maioria o séquito de irmãos desencanados se formava de gente agoniada e enferma, tão necessitada de socorro fraterno como os doentes e aflitos que passavam a acompanhar. Entramos. Grande mesa, ao centro da sala, encontrava-se rodeada de largo cordão luminoso, de isolamento. Em derredor, reservava-se ampla área, onde se acomodavam quantos careciam de assistência, encarnados ou não, área essa que se mostrava igualmente protegida por faixas de defesa magnética, sob o cuidado cauteloso de guardas pertencentes à nossa Esfera de ação. À frente, na parte oposta à entrada, vários Benfeitores Espirituais conferenciavam entre si e, junto deles, respeitável senhora (médium encarnada) ouvia, prestimosa, diversos pacientes”. Depois de algumas observações em torno das apreensões da sensitiva, a narrativa prossegue: -“A médium aquietou-se. Passou a conversar naturalmente com os frequentadores da casa. Aqui, alguém desejava socorro para o coração atormentado ou pedia cooperação em benefício de parentes menos felizes. Ali, supliciava-se concurso fraterno para doentes em desespero, mais além, surgiam requisições de trabalho assistencial (...). Pouco depois, a médium senta-se ao lado do diretor da reunião que após pronunciar sentida prece, leu texto edificante de livro doutrinário, acompanhado por breve anotação evangélica, em cuja escolha preponderou a influência do dirigente espiritual sobre o orientador (encarnado) da casa. Da leitura global, distinguia-se a paciência por tema vivo. E, realmente, a assembleia, examinada no todo, mostrava-se flagelada de problemas inquietantes, reclamando a chave da conformação para alcançar o reequilíbrio. Dezenas e dezenas de pessoas aglomeravam-se, em derredor da mesa, exibindo atribulações e dificuldades. Estranhas formas-pensamento surgiam de grupo a grupo, denunciando-lhes a posição mental. Aqui, dardos de preocupação, estiletes de amargura, nevoeiros de lagrimas... Acolá, obsessores enquistados no desânimo ou no desespero, entre agressivos propósitos de vingança, agravados pelo temor do desconhecido. Desencarnados em grande número suspiram pelo céu, enquanto outros receavam o inferno, desajustados pela falsa educação religiosa recolhida no Plano terrestre. Vários amigos espirituais, junto aos componentes da mesa diretora, passaram a ajuda-los na predicação doutrinária, com bases no ponto evangélico da noite, espalhando, através de comentários bem feitos, estímulos e consolos (...). Não faltavam quadros impressionantes de Espíritos perseguidores, que procuravam hipnotizar as próprias vítimas, precipitando-as no sono provocado, para que não tomassem conhecimento das mensagens transformadoras, ali veiculadas pelo verbo construtivo. Muitos médiuns funcionavam no recinto, todavia observávamos que a citada no início, era o centro da confiança de todos e objeto de todas as atenções (...). Junto dela, em oração, foram colocadas numerosas tiras de papel. Eram requerimentos, anseios e súplicas do povo, recorrendo à proteção do Além, nas aflições e aperturas da existência. Cada folha era um petitório agoniado, um apelo comovedor. Entre a médium e seu mentor, destacava-se agora extensa faixa elástica de luz azul e, Amigos Espirituais, prestos na solidariedade cristã, nela entravam e, um a um, tomavam o braço da sensitiva, depois de lhe influenciarem os centros corticais, atendendo, tanto quanto possível, aos problemas ali expostos. Antes, porém, de começarem o trabalho de resposta às questões formuladas, um grande espelho fluídico foi situado junto da médium, por trabalhadores espirituais da instituição e, na face dele, com espantosa rapidez, cada pessoa ausente, nomeada nas petições da noite, surgia ante o exame dos Benfeitores que, à distância, contemplavam-lhe a imagem, recolhiam-lhe os pensamentos e especificavam-lhe as necessidades, oferecendo a solução possível aos pedidos feitos. Evidentemente a generalização não é possível, todavia, a descrição inserida no livro NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (feb,1954), nos dá uma ideia da intensa mobilização peculiar aos bastidores de uma reunião espírita.





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ANIMAIS E MEDIUNIDADE

Há quem diga ter testemunhado fenômenos inusitados envolvendo animais de estimação. Manifestação de Erasto, um dos integrantes de equipe responsável pelas bases do Espiritismo, obtida na Sociedade Espírita de Paris, e, inserida por Allan Kardec na edição de agosto de 1861 da REVISTA ESPÍRITA reflete sobre o tema, oferecendo elementos importantes para nossas análises. O Orientador Espiritual, parte da argumentação de um fervoroso seguidor da Doutrina nascente que defendia ser possível mediunizar aves e outros animais, deles se servindo em comunicações com a espécie humana, justificando sua tese nos fatos observados à época, “envolvendo a matéria inerte, ou seja, uma mesa, uma cadeira, um piano”. Em sua mensagem escreve Erasto: -“Para começar, convenhamos bem nossos fatos. Que é um médium? É o Ser, o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, a fim de que estes facilmente possam comunicar-se com os homens, Espíritos encarnados. Por consequência, sem médium nada de comunicações tangíveis, mentais, escritas, físicas, nem de qualquer outra espécie. Há um princípio – disto tenho certeza – que é admitido por todos os Espíritos: é que os semelhantes agem com e como os seus semelhantes. Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos, senão os Espíritos, encarnados ou não? Será preciso repeti-lo incessantemente?  Ora, repetirei ainda: -Vosso Perispírito e o nosso são tirados do mesmo meio, são de natureza idêntica; numa palavra, são semelhantes. Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos desenvolvida, de imantação mais ou menos vigorosa, que nos permite, Espíritos e encarnados, nos pormos em contato pronta e facilmente(...). Foi dito: Os Espíritos mediunizam e fazem mover a matéria inerte, cadeiras, mesas, pianos. Fazem mover, sim; mas não mediunizam! Porque, ainda uma vez, sem médium não se podem produzir esses fenômenos. Que há de extraordinário que, auxiliados por um ou vários médiuns, façamos mover a matéria inerte, passiva, que, justamente em razão de sua passividade, de sua inércia, é própria, para sofrer os movimentos e os impulsos que lhes desejamos imprimir? Por isto necessitamos de médiuns, é positivo. Mas não é necessário que o médium esteja presente ou consciente, porque podemos agir com os elementos que nos fornece, mau grado seu e fora de sua presença, sobretudo nos casos de tangibilidade e transporte. Nosso envoltório fluídico, mais imponderável e sutil que o mais sutil e imponderável dos vossos gases, unindo-se, casando-se, combinando-se com o envoltório fluídico, mais animalizado do médium, e cuja propriedade de expansão e de penetrabilidade e inapercebida por vossos sentidos grosseiros e quase inexplicável para vós, nos permite mover os móveis e, mesmo, os quebrar em locais desabitados. Certamente os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis pelos animais, muitas vezes tomados de súbito por tal pavor, que vos parece infundado, e é causado pela vista de um ou vários desses Espíritos mal intencionados para com os indivíduos presentes ou para com os donos desses animais. Muitas vezes encontrais cavalos que não querem avançar nem recuar ou que empacam ante um obstáculo imaginário. Ora, tende a certeza de que o imaginário obstáculo é, às vezes, um Espírito, ou m grupo de Espíritos que se divertem impedindo o avanço (...). Mas, repito, não mediunizamos diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. Sempre nos é preciso o concurso, consciente ou inconsciente, de um médium humano, porque nos é necessária a união de fluidos similares, o que não encontramos nos animais, nem na matéria bruta (...). Assentado isto, reconheço perfeitamente que nos animais existem aptidões diversas; que certos sentimentos humanos neles se desenvolvem; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se atue bem ou mal sobre eles. É que Deus, que nada faz incompleto, deus aos animais, companheiros ou servos do homem, qualidades de sociabilidade, que faltam inteiramente aos animais selvagens, que habitam as solidões. Resumindo: os fatos mediúnicos não se podem manifestar sem o concurso consciente ou inconsciente do médium; e só entre os encarnados, Espíritos como nós, é que podemos encontrar os que nos podem servir de médiuns. Quanto “a educar cães, aves ou outros animais para fazerem tais ou quais exercícios, é assunto vosso e não nosso”. Em nota complementar, Allan Kardec comenta que “tendo observado muito atentamente experiências feitas com aves, às quais se atribuía a faculdade mediúnica, reconheceu nelas os processos de prestidigitação, as quais dão a ilusão ao espectador que se contenta com a aparência, sem perscrutar o fundo (...). O que mais se deve admirar em tais experiências é a arte, a paciência que foi preciso desenvolver para educar esses animais, tornando-os dóceis e atentos”. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ESPIRITUALIDADE E FAMÍLIA

O grande líder budista Dalai Lama define Espiritualidade como “aquilo que produz no Ser humano uma mudança interior”. Trata-se de uma conquista do Ser na sua caminhada evolutiva. Como o homem não nasce um “ produto acabado”, vai sofrendo as influências do meio, às quais reage conforme sua realidade interior, sofrendo quedas e se erguendo durante grande parte de sua vida física. O aprendizado seja pela força das circunstâncias, seja pelas decisões conscientes, é constante. Oportuno, portanto, referências. Quando emanadas de quem lidou grande parte de sua vida com a problemática humana, mais respeito merece. Daí a razão de buscarmos opiniões do grande médium Chico Xavier. Recolhemos da vasta obra construída com suas opiniões, sete corriqueiros temas relacionados à família para nossas análises e reflexões: 1 – LAR – “Sem a família organizada caminharíamos para a selva e isso não tem razão de ser. A família terá de fazer grandes aberturas, porque estamos aí com os anticoncepcionais, com os problemas psicológicos, com os conflitos da mente, com as exigências afetivas de várias nuances (...). A família precisa abrir novas pistas de compreensão para que os componentes dela possam viver em regime de respeito recíproco, com os problemas de que são portadores, sem a agressão que tantas vezes se verifica, contra criaturas que sofrem aflitivos problemas dentro da constituição psicológica diferente da maioria”. 2 – CASAMENTO - “-União de almas simpáticas é uma raridade sobre a Terra. Quase todos estamos vinculados aos nossos compromissos de existências anteriores. Com o passar do tempo, o casal que descobre entre si certas diferenças não deve se assustar; é natural que assim seja. Se não houver amor, que pelo menos haja respeito. Tenho visto muitos casamentos se desfazerem por causa do extremo egoísmo dos cônjuges, que não se dispõe a um mínimo de sacrifício e de renúncia. Ora, estamos ainda muito longe do amor com  que devemos nos consagrar uns aos outros, mas nada nos impede de começar a exercitar a paciência, o perdão, o silêncio... Se “um não revidasse quando fosse ofendido pelo outro, teríamos um número infinitamente menor de separações conjugais”. 3 – ESFRIAMENTO NO INTERESSE AFETIVO APÓS O NASCIMENTO DOS FILHOS - “Grande número de enlaces na Terra obedece a determinações de resgates, escolhidas pelos próprios cônjuges, antes do renascimento no berço físico. E aqueles amigos que serão filhos do casal, muitas vezes, agindo no Além, transformam, ou melhor, omitem as dificuldades prováveis do casamento em perspectiva para que os cônjuges se aproximem afetuosamente um do outro, segundo os preceitos das Leis Divinas e formem o lar, desfazendo dentro dele determinadas dificuldades das existências anteriores em motivos de amor e compreensão maior.. O “namoro e o noivado, em muitas ocasiões, estão presididos pelos Espíritos que serão filhos do casal”. 4 – LIMITAÇÃO DOS FILHOS - “-Temos a obrigação de examinar este assunto com muito respeito à vida e, consequentemente a Deus, em nossos deveres de uns para com os outros, para não cairmos em qualquer calamidade de omissão ou de deserção de encargos assumidos”. 5 – PATERNIDADE/MATERNIDADE - “-Temos a obrigação de examinar este assunto com muito respeito à vida e, consequentemente a Deus, em nossos deveres de uns para com os outros, para não cairmos em qualquer calamidade de omissão ou de deserção de encargos assumidos”.  6 - EDUCAÇÃO DOS FILHOS - “- Se não encontrarmos criaturas que nos concedam amor e segurança, paz e ordem, será muito difícil o proveito da nova reencarnação que estejamos encetando. A Educação não é um processo que possa ser levado a efeito quando a criatura já adquiriu hábitos. Aquilo que se precisa aprender começa aos 6 meses de idade. Toda criança deve ser educada no trabalho. Trabalhei desde pequeno e, não fosse por semelhante providência, com certeza eu teria me perdido”. 7 – FILHO ESPECIAL - “A criança excepcional, em regra geral, é o suicida reencarnado depois de suicídio recente, porque a pessoa quando pensa que se liquida, está apenas estragando ou perdendo a roupa de que a Providência Divina permite que se sirva durante a existência, que é o corpo físico(...) Volta à Terra com os remanescentes que levou daqui mesmo, após o suicídio(...) Sentem e ouvem, registram e sabem de que modo estão sendo tratadas; ela são profundamente lúcidas na intimidade do próprio Ser. A criança especial vem somente com aqueles que são capazes de amá-la e ajuda-la a passar aquele transe temporário de treze, vinte, trinta anos, pois geralmente os excepcionais desencarnam muito cedo(...). Os filhos excepcionais são confiados somente às grandes mulheres que tem capacidade de amar até o Infinito”.




       





sábado, 20 de setembro de 2014

PORQUE ESTÁ TUDO CERTO

Intolerância religiosa, exploração da ignorância; mercantilização da fé; foco nos aspectos temporais em prejuízo dos espirituais podem parecer atitudes incompreensíveis, inaceitáveis, uma prova da inexistência de Deus para alguns, mas, não são. Especialmente se considerarmos comentário já destacado da edição de fevereiro de 1864 da REVISTA ESPIRITA dizendo que embora “o Espírito já no início de sua fase humana, estupido e bruto, sente a centelha divina em si, adora um Deus, que materializa conforme sua materialidade”. Os conceitos vão se modificando, portanto, conforme a evolução avança no indivíduo. Assim sendo, as diferentes religiões, muitas vezes, organizadas a partir de revelações espirituais, refletem o progresso dos seus mentores ou organizadores. Considerando algumas informações inseridas n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS a proposito da não igualdade dos Espíritos, distribuídos em diferentes ordens em número ilimitado, não existindo nesse sentido, uma linha demarcatória traçada como barreira, se multiplicando em inúmeras divisões, à vontade, podendo, todavia, ser reduzidas a três ordens principais, considerando-se os caracteres gerais. Na primeira ordem, os que já chegaram à perfeição; na segunda, os que do meio da escala, tendo o desejo do Bem como preocupação, e, na terceira, os espíritos imperfeitos ainda na base da escala, se caracterizando pela ignorância, desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento. No caso da Terra, conforme mensagem atribuída ao Espírito Santo Agostinho,Espíritos apenas saídos da infância evolutiva, se desenvolvendo em contato com Espíritos mais avançados, constituindo o grupo dos chamados selvagens; outros identificados como as raças semicivilizadas, constituída desses mesmos Espíritos em progresso, incluindo os indígenas do Planeta, que cresceram pouco a pouco, depois de longos períodos seculares, atingindo o aperfeiçoamento intelectual de povos mais esclarecidos, e, por fim, Espíritos que já viveram em outros mundos, de onde foram retirados em razão de sua obstinação do mal. Juntando a isso a revelação do Espírito Emmanuel através de Chico Xavier no livro ROTEIRO (1952, feb), calculando a população desencarnada em vinte bilhões de Espíritos conscientes, que se servem do domicílio terrestre para progredir espiritualmente, não é incorreto cogitarmos ser diverso o estado evolutivo dos mesmos, o que resulta nas distorções observadas em todos os tempos, mas, especialmente na atualidade em que tantas contradições chamam a atenção em qualquer análise que se pretenda fazer. Não só nas questões religiosas como pode se deduzir da dinâmica da formulação do conceito de Deus citada no inicio.  Lembrando entrevista publicada em 1954, do próprio Emmanuel através do médium com o qual trabalhou décadas, de que nos últimos 64 mil anos tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa do seu primitivismo. Logo em seguida, podemos considerar pelos próximos 28 mil anos, a grande raça Lemuriana, como portadora de uma inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do Espirito; após a raça Lemuriana – chegamos ao grande período da raça Atlantida, em outros 28 mil anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável; achando-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana”, entendemos por que ele compara o Planeta a um Grande Educandário, com seus diferentes graus, séries e alunos com capacidade de aprendizagem compatível com intelecto, realidade familiar, social, etc. Analogia interessante diz que o Planeta se a assemelha cinco condomínios (continentes), flutuando sobre os diferentes Oceanos. Nos vários blocos (países), acomodam-se moradores das mais diferentes condições culturais (evolutivas), agindo e reagindo com maior ou menor rapidez aos estímulos sofridos. A hegemonia racial, por exemplo, está se descaracterizando pelo crescente número de refugiados que se abrigam em estruturas milenares como a europeia - muitos retornando através da reencarnação em realidades sociais precárias -, buscando nas áreas em que se instalam uma compensação para a exploração sem compensação de qualquer espécie dos antigos invasores e dominadores conforme demonstra a história pregressa da Humanidade. Absurdo? Para muitos pode parecer. Mas, aqui também pode ser utilizada uma ponderação de Allan Kardec dizendo que “a facilidade com que certas pessoas aceitam as ideias espíritas, das quais, parece, tem intuição, indica terem alcançado certa evolução na escala do progresso espiritual”. Diante de tudo isso, pode-se concluir que as disparidades observadas nos comportamentos individuais ou coletivos são justificadas pela heterogeneidade de internos desta grande escola chamada Terra, ainda Mundo de Expiação e Provas, que navega pelo espaço sem fim. Em outras palavras, sob este ponto de vista, está tudo certo mesmo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

ESPIRITUALIDADE E A ALTA INCIDÊNCIA DA MORTE DE JOVENS

Já nos anos 80 do século XX, as estatísticas mostravam um crescimento vertiginoso de mortes de jovens de forma natural ou acidental, precipitando familiares, sobretudo mães e pais, no abismo da dor e sofrimento moral nunca imaginado na “zona de conforto” em que viviam. Uma avaliação da evolução desses índices de lá para cá, revelará um aumento exponencial de tais casos. Claro que o exercício do livre arbítrio continua a produzir vítimas a todo instante neste Planeta, revelado pelo Espiritismo como situado na faixa das Expiações e Provas, impondo de forma inexorável – embora gradual – os efeitos daquilo que causamos com nossas ações, motivadas, invariavelmente, por anseios de projeção ou exploração no meio em que as criaturas se acham inseridas. Naturalmente associada à evolução das densidades demográficas observadas nos diferentes continentes, o fato é que o Espiritismo acrescenta dado sugestivo na análise desses acontecimentos. Uma mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier confirma isso. Na verdade era a segunda recebida de um jovem – Luiz Roberto Estuqui Jr -, desencarnado em 4 de janeiro de 1984, num acidente nas imediações de Araraquara (SP), a caminho de São José do Rio Preto (SP), localidade em que residia. A primeira carta, psicografada na reunião publica de 24 de fevereiro, apenas 50 dias após sua trágica morte, revela aspectos curiosos, embora óbvios: quem morre não aceita facilmente o abandono dos projetos perseguidos; o chamado corpo espiritual ou períspirito é submetido a tratamentos específicos; familiares desencarnados há mais tempo geralmente assistem o recém-chegado para numa faixa menor de tempo se readaptar à vida de que se afastou um dia para reencarnar. No caso de Luiz Roberto, um dos seus acompanhantes foi um tio – Fausto João Estuqui – vitima de fatal acidente de avião nas imediações de Votuporanga (SP), oito anos antes. Foi através dele que o jovem comunicante obteve a resposta procurada por muitos, notadamente os que são surpreendidos pelas perdas de entes queridos. E não só esclarece a dúvida acalentada por tantos, como oferece em seguida seu próprio exemplo para os que querem refletir. Relata Luiz Robert em sua carta de 15 de setembro de 1984: - “O tio Joaozinho, a quem levo as suas perquirições para estudo, e por entender melhor a vida, me respondeu que, por amigos daqui, veio a saber que milhões de pessoas estão passando pela desencarnação no tempo áureo da existência, porque nos achamos numa fase de muitas mudanças na Terra. E aqueles Espíritos retardatários em caminho, quando induzidos a considerar a extensão das próprias dívidas, aceitam a prova da desencarnação mais cedo do que o tempo razoável para a partida, e são atendidos com a separação de pais e afetos outros, no período em que mais desejariam continuar vivendo, em razão do tempo que perderam com frivolidades nas vidas que usufruíram. São muitos os companheiros que se retiram da Terra, compulsoriamente, das comodidades humanas em que repousavam, de modo a rematarem o resgate de certos débitos que os obrigavam a sofrer no âmago da própria consciência”. Atendo-se ao caso, do próprio informante, Luiz Roberto escreveu: -“Ele mesmo, o tio Joãozinho, me explicou que tendo pedido exames para saber o motivo pelo qual perdeu o corpo numa queda de avião, foi conduzido, por Menores competentes, junto dos quais pôde ver, num processo de regressão, as causas da desencarnação violenta pelo qual foi obrigado a alcançar. Disse-me que conseguiu observar cenas tristes de que fora protagonista, há mais de trezentos anos, nas quais se via na posição de algoz de vasta comunidade humana, atirando pessoas em poços de tamanho descomunal, por motivos sem maior importância. Assim, ele precipitou muita gente do alto de montes ásperos e empedrados, com o objetivo de conquistar destaque nas posições da finança e do poder. As faltas cometidas permaneceram impunes, por ausência de autoridades nas localidades de sua atuação, mas, perante a Justiça Divina, os disparates levados a efeito foram assinalados para resgate em tempo oportuno. Desse modo, o tio afirmou que tendo arrasado a vida de muita gente, do ápice de montanhas alcantiladas e espinhosas, conseguiu liberar-se com a angústia por ele sofrida na queda da máquina que o resguardava. Disse-me que a morte o liberava de pagamentos quase inexequíveis, já que devia unicamente o remate de débitos contraídos, considerava o acidente aéreo uma solução benigna para ele que se vê agora, sem a mácula de culpa alguma”. Evidencia-se desta forma as sutilezas da Lei de Causa e Efeito, administrando os processos evolutivos dos habitantes da Terra.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

UMA EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL

Artigo publicado por jornal inglês especializado em assuntos médicos foi tema da reunião da Sociedade Espírita de Paris de 9 de outubro de 1868 por sua originalidade, resultando em matéria inserida na edição de novembro da REVISTA ESPÍRITA . Enfocava o caso de uma menina que, sem ter pronunciado palavras até os três anos, começou com os habituais “papai” e “mamãe”, e, quando se aproximou dos quatro, a língua se desatou de repente, falando a partir daí com toda a facilidade e volubilidade de sua idade. Um problema apenas se observava: nenhuma das palavras era em inglês, tampouco tinham relação com a corruptela de palavras de que se servem as crianças que brincam com ela. Sem ter jamais ouvido francês, incluía no seu singular idioma, diversos termos do mesmo. Os pais, desolados, insistiam em ensinar-lhe o inglês, inclusive afastando-a de crianças de sua idade, pondo-a em contato com gente idosa, falando o idioma pátrio e ignorando seu comportamento. Em contato com pessoas que não tinha o hábito de ver, punha-se a ensinar-lhes sua língua, o que, por sinal, já havia feito com um irmão mais velho que ela dezoito meses. Debatido o fato entre os participantes da reunião da Sociedade, manifestou-se através de um médium um Espírito de nome Nivard observando que “fatos surpreendentes ocorreram em todos os tempos, em todas as épocas, causando admiração aos homens, mas tinham similares ou parecidos. Isto certamente não os explicava, mas eram vistos com menos surpresa. Este de que se trata é, talvez, único no seu gênero. A explicação que se pode dar nem é mais fácil, nem mais difícil que as outras, mas sua singularidade é chocante: eis o essencial”. E prossegue:“-Quanto à causa, vou tentar vô-la dizer: o Espírito encarnado no corpo dessa menina conheceu a língua, ou antes, as línguas que fala, pois faz uma mistura. Não obstante a mistura é feita conscientemente e constitui uma língua, cujas diversas expressões são tomadas das que esse Espírito conheceu em outras encarnações. Em sua última existência ele tinha tido a ideia de criar uma língua universal, a fim de permitir aos homens de todas as nações entender-se e assim aumentar a facilidade das relações e o progresso humano. Para esse efeito ele tinha começado a compor essa língua, que constituía fragmentos de várias que conhecia e mais gostava. A língua inglesa lhe era desconhecida; tinha ouvido ingleses falar, mas achava sua língua desagradável e a detestava. Uma vez no Plano Espiritual, o objetivo que se tinha proposto em vida aí continuou; pôs-se à tarefa e compôs um vocabulário que lhe é particular. Encarnou-se entre os ingleses, com o desprezo que tinha por sua língua, e com a determinação bem firme de não a falar. Tomou pose de um corpo, cujo organismo flexível lhe permite manter a palavra. Os laços que o prendem a esse corpo são bastante elásticos, para o manter num estado de semi-desprendimento, que lhe deixa a lembrança bastante distinta de seu passado, e o mantém em sua resolução. Por outro lado, é ajudado, e o mantém em sua resolução. Por ouro lado, é ajudado por seu guia espiritual, que vela para que o fenômeno tenha lugar com regularidade e perseverança, a fim de chamar a atenção dos homens. Aliás, o Espírito encarnado estava consentindo na produção do fato. Ao mesmo tempo em que demonstra o desprezo pela língua inglesa, cumpre a missão de provocar as pesquisas psicológicas”. Comentando a mensagem, Allan Kardec acrescenta: -“Se a explicação não pode ser demonstrada, ao menos tem por si a racionalidade e a probabilidade. Um inglês que não admite o princípio da pluralidade das existências e que não tinha conhecimento da comunicação acima, arrastado pela lógica irresistível, disse, falando desse caso, que ele não poderia explicar senão pela reencarnação, se fosse certo a gente reviver na Terra. Eis, pois, um fenômeno que, por sua estranheza, cativando a atenção, provoca a ideia da reencarnação, como a única razão plausível que se lhe possa dar. Antes que este princípio estivesse na ordem do dia, ter-se-ia simplesmente achado o caso bizarro e, sem duvida, em tempos ainda mais remotos, teriam olhado essa menina como enfeitiçada. Nós nem mesmo diríamos que hoje não fosse esta a opinião de certas pessoas. O que não é menos digno de nota é que este fato se produz precisamente num País ainda refratário à ideia da reencarnação, mas que será arrastado pela força das coisas”.



domingo, 14 de setembro de 2014

TATUAGENS E 'PIERCINGS' - REFLEXÃO RACIONAL E SIMPLES




O Espiritismo revela que o Espírito em grande parte de sua caminhada evolutiva se reveste de um corpo sutil denominado por Allan Kardec períspirito. Na verdade, o mesmo corpo espiritual citado por Paulo de Tarso em suas cartas ou corpo astral das tradições hindus. Segundo a Doutrina Espírita, não apenas mero veículo de manifestação, mas, intermediário de impressões do Espírito e do corpo físico através de complexo de comunicação que se serve do sistema endócrino no corpo físico e os chamados centros de força - ou chackras -, no perispirito. Serve para a constatação da individualidade do Espírito sem o corpo material, fazendo dele um Ser distinto dos outros, como explicado n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Acrescentando informações sobre as linhas morfológicas dos desencarnados, o Espírito André Luiz informa no livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (1958, feb), serem “comumente aquelas que trouxeram do mundo, a evoluírem, contudo, constantemente para melhor apresentação, toda vez que esse conjunto social se demore em esfera de sentimentos elevados”. Acrescenta que “a forma individual em si obedece ao reflexo mental dominante”, visto que “fora do arcabouço físico, a mente se exterioriza no veículo espiritual com admirável precisão de controle espontâneo sobre as células sutis que o constituem”. Ressalva que “se o progresso mental não é positivamente acentuado, mantém a personalidade desencarnada, nos planos inferiores, por tempo indefinível, a plástica que lhe era própria entre os homens, sofrendo nos planos relativamente superiores, processos de metamorfose, mais lentos ou mais rápidos, conforme suas disposições íntimas”. Exemplifica citando o “caso da alma desenleada do envoltório físico transferida para a moradia espiritual, em adiantada senectude, a qual gastará algum tempo para desfazer-se dos sinais de ancianidade corpórea, desejosa de remoçar o próprio aspecto, que deverá esperar o auxílio do tempo - caso da maioria esmagadora de Espíritos desencarnados -, por não disporem ainda de bastante aperfeiçoamento moral e intelectual, condição imprescindível para revelar o poder plástico sobre as células que lhes entretecem o instrumento de manifestação”. Sabemos através de Allan Kardec que “conforme o Espírito for mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, determinará não apenas infinitas possibilidades de seu estado feliz ou infeliz no Plano Espiritual situando-o em diferentes moradas, não localizadas nem circunscritas”, sabe-se hoje, agrupadas segundo os impositivos da afinidade, consoante a onda mental ou frequência vibratória, em que se encontram, conforme explicações do Espírito Abel Gomes, através do médium Chico Xavier, que aduz “existirem milhões de Espíritos, apaixonados pela forma, que se obstinam em colônias, por muito tempo, até que abalos afetivos ou conscienciais os constranjam à frente ou ao renascimento no campo físico já que cada mente vive na Dimensão com que se harmonize”. Tais comentários  tornam compreensíveis imagens oferecidas pelo Espírito Luiz Sérgio no livro MAIS ALÉM DO MEU OLHAR (2001, recanto), psicografado pela médium Irene Pacheco Machado, relatadas no capítulo seis descrevendo incursão pelo Vale dos Tatuados, situado em faixas espirituais sombrias existentes ao redor do Planeta Terra. Cita contato com jovem desencarnado ostentando uma “tatuagem de Jesus, com lenço amarrado na boca, amordaçado para que não o convertesse”, dizendo ser visitante frequente do Plano físico por “gostar demais de ficar intuindo caras que fazem tatuagens, para que sejam mais criativos”. Viu jovens mulheres com o corpo todo marcado por tatuagens, uma das quais não adepta dos “piercings” que considerava uma agressão ao corpo, indicando alguém que morreu de “câncer na língua, tantos “piercings” colocou nela”. Descreve cenas impactantes do que vê acompanhando a equipe em transito por aquele quase surreal Vale, tendo sua atenção atraída, em dado instante, para “várias mulheres com “piercings” nos lugares mais estranhos, exibidos em meio a gargalhadas, tendo a língua caída até o busto, pelo peso dos adornos nela implantadas quando encarnadas”. Afastando-se daquele cenário dantesco, foi seguro pelas pernas por jovem implorando lhe fosse removida de seu corpo perispiritual tatuagem em que se via a figura de Satanás batendo no Cristo, imagem, segundo ela, escolhida para chamar a atenção do grupo em que se enturmara, o que lhe valeu a liderança do mesmo. Ponderando sobre o assunto, Luiz Sérgio lembra que “antes a tatuagem era usada somente por presidiários e marinheiros, tornou-se modismo, pelo desejo de muitos Espíritos de agredir a sociedade, por sinal, em sua maioria, oriundos de lares desajustados”. Por representar opção assumida no exercício consciente do livre arbítrio, e no uso da mente na definição das imagens gravadas no próprio corpo, entende-se por que após a morte, tais inscrições conservam-se no corpo espiritual.
                                                                                 



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

NINGUÉM FOGE DE SI MESMO

Falando sobre diferentes estados da alma no Mundo Espiritual no comentário com que abre o capítulo três d’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec explica que “as diferentes moradas na casa do Pai referidas por Jesus são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento”. Salienta, contudo, que “independente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz ou infeliz dos Espíritos no Mundo Espiritual. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos(...). Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas”. Apesar de essas ponderações terem sido escritas há mais de cento e cinquenta anos, de certa maneira, vem sendo cogitadas atualmente por estudiosos da Física Quântica através dos Universos Paralelos propostos pela Teoria da Supercordas, chegando a afirmar que “mesmo que as dimensões ocultas do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. O Espiritismo, por sinal demonstra através de milhares de depoimentos e exemplos que para essa realidade voltaremos, pois dela viemos. Tantas vezes quanto for necessário para atingirmos melhores níveis de evolução espiritual. Tudo isso pela lentidão com que trabalhamos conscientemente para nos livrarmos dos “efeitos” daquilo que “causamos” nas ações deliberadamente assumidas, intencionalmente ou não. E na saída constataremos que “cada qual, como acontece no nascimento, tem a sua porta adequada para ausentar-se do Plano Físico”, como explica o Espírito Abel Gomes, em mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier, inserida no livro FALANDO Á TERRA (feb,1951). Segundo ele, “as inteligências no Plano Espiritual se agrupam segundo os impositivos da afinidade, vale dizer, consoante a onda mental, ou frequência vibratória, em que se encontram”. Em outras palavras, “cada tipo de mente vive na dimensão com que se harmonize”, em “organizações que obedecem à densidade mental dos seres que as compõem”. Ilustrando seu texto com alguns exemplos, conta num deles que “algumas entidades presas ao remorso por delitos praticados, improvisam, elas mesmas, com as faculdades criadoras da imaginação, os instrumentos de castigo, dos quais se sentem merecedoras, como antigo sertanejo do interior de Minas Gerais, que impunha serviço sacrificial aos seus empregados de campo, mais por ambição de lucro fácil na exploração intensiva da terra que por amor ao trabalho, deixou recheados cofres aos filhos e netos; mas, transportado à esfera imediata e ouvindo grande número de vozes que o acusavam, tomou-se de tão grande arrependimento e de tão viva compunção, que plasmou, ele mesmo, uma enxada gigantesca, agrilhoando-a às próprias mãos, com a qual atravessou longos anos de serviço, em comunhão com Espíritos primitivos da Natureza, punindo-se e aprendendo o preço do abuso na autoridade”. Outro envolve “orgulhosa dama, que conheceu pessoalmente e a quem humilde e nobre família deve a morte de nobre mulher, vitimada pela calunia, que em desencarnando e conhecendo a extensão do mal que causara, adquiriu para si o suplício da vítima, por intermédio do remorso profundo em que se mergulhou, estacionando por mais de dois lustros em sofrimento indescritível”. Lembra também o caso de “velho conhecido que assassinou certo companheiro de luta, em deplorável momento de insânia, e, não obstante ver-se livre da justiça humana, que o restituiu à liberdade, experimentou longo martírio da consciência dilacerada, entregando-se, por mais de quatro decênios, à caridade com trabalho ativo para bem do próximo. Com semelhante procedimento, granjeou a admiração e o carinho de vários Benfeitores da Espiritualidade Superior, que o acolheram, solícitos, quando afastado da experiência física, situando-o em lugar respeitável, a fim de que pudesse prosseguir na obra retificadora. Pelos fios da amizade e da colaboração que soube tecer, em volta do coração, para solucionar o seu caso, conseguiu recursos para ir no encalço da vítima, que a insubmissão havia desterrado para fundo despenhadeiro de trevas e animalidade. Não se fez dela reconhecido, de pronto, de modo a lhe não perturbar os sentimentos, auxiliando-a a assumir posição de simpatia necessária à receptividade dos benefícios de que era portador; e, após lutar intensivamente pela sua transformação moral, em favor do necessário alçamento, voltará às lides da carne, a fim de recebê-la nos braços como filho". Enfim, como vemos, no caminho do progresso espiritual, os efeitos correm sempre atrás das causas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

COISAS BEM DIFERENTES

Espiritismo detém o mérito não só de ter definido e explicado a mediunidade, mas, de ter revelado no lado Ocidental da Terra que todas as criaturas humanas são médiuns, o que as torna passíveis de sofrer influências do Mundo Espiritual, em maior ou menor intensidade. Apesar das tentativas de desenvolver classificações próprias da imensa variedade de sensitivos e paranormais, a Metapsíquica do médico do fisiologista Charles Richet e a Parapsicologia do pesquisador Joseph Banks Rhine, o trabalho de Allan Kardec continua válido e referência aos estudiosos, sobretudo através d’ O LIVRO DOS MÉDIUNS. O século XX, de forma mais exuberante no Brasil, expôs o trabalho de médiuns extraordinários em várias frentes de atuação da Espiritualidade, combatendo a acentuada evolução do materialismo, na verdade procurando evidenciar a realidade da sobrevivência após a morte do corpo físico. De forma ostensiva na poesia; na literatura; nas demonstrações propiciadas por Espíritos de célebres pintores; compositores clássicos; nas confortadoras manifestações de criaturas separadas de entes queridos de forma abrupta; nas impactantes cirurgias invasivas levadas a efeito em vários países latinos. Ignorante por vezes, mal intencionada outras, a imprensa associa muitos dos fenômenos dos diferentes tipos citados ao Espiritismo. Ocorre que a mediunidade é tão neutra quanto a inteligência. Tanto é médium o individuo moralmente equilibrado quanto o não. Em artigo reproduzido na REVISTA ESPIRITA de outubro de 1867Allan Kardec tece interessantes comentários sobre aspecto observado em muitos casos impactantes no campo das curas, em que podemos incluir desde Arigó, no Brasil e Tony Agpoa, nas Filipinas, até os produzidos pela maioria dos médiuns da atualidade. Pergunta: -“Porque esta faculdade hoje se desenvolve quase que exclusivamente nos ignorantes, em vez de nos homens de ciência? Pela razão muito simples que, até agora, os homens de ciência a repelem. Quando a aceitarem, vê-la-ão desenvolver-se entre si, como entre os outros. Aquele que hoje a possuísse iria proclamá-la? Não: ocultá-la-ia com o maior cuidado. Desde que ela é inútil em suas mãos, porque lha dar? Seria o mesmo que dar um violão a um homem que não sabe ou não quer tocar. A este estado de coisas junta-se outro motivo capital. Dando aos ignorantes o dom de curar males que os sábios não podem curar, é para provar a estes que nem tudo sabem, e que há leis naturais além das que a ciência reconhece. Quanto maior a distância entre a ignorância e o saber, mais evidente é o fato. Quando se produz naquele que nada sabe, é uma prova certa de que ali em nada participou o saber humano. Mas como a ciência não pode ser um atributo da matéria, o conhecimento do mal e dos remédios por intuição, como a faculdade de vidência, só podem ser atributos do Espírito. Elas provam no homem a existência do Ser espiritual, dotado de percepções independentes dos órgãos corporais e, muitas vezes, de conhecimento adquiridos anteriormente, numa precedente existência. Esses fenômenos tem pois, ao mesmo tempo, a consequência de serem úteis à Humanidade, e de provar a existência do princípio espiritual”. Argumentos de Clélie Duplantier, uma das sóbrias entidades habitualmente presente nas reuniões da Sociedade Espírita de Paris, em mensagem psicografada pelo médium Sr Deliens, em 23 de fevereiro de 1867, merecem reflexão: -“Quanto àquele que é apenas médium, sendo instrumento, pode ser mais ou menos defeituoso, e os atos que se operam por seu intermédio de modo algum o impedem de ser imperfeito, egoísta, orgulhoso e fanático. Membro da grande família humana, ao mesmo título que a generalidade, participa de todas as suas fraquezasLembrai-vos destas palavras de Jesus: “Não são os que tem saúde que precisam de médico”. Então há que ver um sinal de bondade da Providência, nessas faculdades que se desenvolvem em meios e em pessoas imperfeitas. É um meio de lhes dar a fé que, mais cedo ou mais tarde, conduzirá ao Bem; se não for hoje, será amanhã; são sementes que não estão perdidas, porque vós, Espíritas sabeis que nada se perde para o Espírito. Se não é raro, em naturezas moral e fisicamente mais abruptas, encontrar faculdades transcendentes, isto se deve a que essas individualidades, tendo pouca ou nenhuma vontade pessoal, limitam-se a deixar agir a influência que as dirige. Poder-se-ia dizer que agem por instinto, ao passo que uma inteligência mais desenvolvida, querendo se dar conta da causa que a põe em movimento, por vezes colocar-se-ia em condições que não permitiriam uma realização tão fácil dos desígnios providenciais. Por mais bizarros e inexplicáveis que sejam os efeitos que se produzem aos vossos olhos, estudai-os atentamente”. Como se vê, Espiritismo, médiuns e fenômenos são coisas bem diferentes, competindo ao primeiro apenas facilitar a análise e interpretação do segundo e terceiro ou orientar seu exercício.
  

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

RELATIVIDADE DA IDEIA DE DEUS

- “O Espírito no início de sua fase humana, estupido e bruto, sente a centelha divina em si, pois, adora um Deus, que materializa conforme sua materialidade”, escreveu Allan Kardec em uma de suas ponderadas análises contidas na edição de fevereiro de 1864 da REVISTA ESPÍRITA. Noutra oportunidade, comentou que “a vida humana é uma escola de aperfeiçoamento espiritual e uma série de provas. Por isso é que o Espírito deve conhecer todas as condições sociais e, em cada uma delas, aplicar-se em cumprir a vontade divina”. Nesse contexto, vão surgindo as religiões, organizações humanas que, apesar de resultarem quase sempre de revelações espirituais, institucionalizam tais pensamentos que geralmente se desvirtuam e desfiguram pela ambição dos receptores e administradores da nossa Dimensão. Num planeta como a Terra, classificado como de Expiação e Provas em mensagem mediúnica assinada pelo Espírito que nas convenções da escola religiosa que serviu é identificado como Santo Agostinho, considerando a condição evolutiva predominante, a reencarnação determina sempre, procriação e alimentação, isto é, necessidades da matéria a satisfazer e, assim, entraves para o Espírito”, submetendo as individualidades a provas comoo poder e a riqueza, como a pobreza e a humildade”, que durante várias vidas sucessivas resultam em expiações conhecidas como dores, idiotismo, demência, etc, pelo mal cometido em vida anterior”. O sentimento e pensamento religioso, vai, portanto, refletindo sempre nossa condição evolutiva. Daí a sua persistência após a chegada ao Mundo Espiritual após a morte. No interessante trabalho intitulado CARTAS DE UMA MORTA (lake,1935),segundo livro com produções psicográficas de Chico Xavier, a entidade Maria João de Deus que, entre outras atividades desenvolvidas em nosso Plano foi mãe do médium em meio aos nove filhos a que deu a luz, revela que “são inúmeras as congregações de Espíritos mais apegados às ilusões da Terra que através de muitas organizações se dedicam à salvaguarda de seus ideais religiosos na primeira esfera existente no orbe terráqueo. A Igreja romana, por exemplo, tem aí conventos, irmandades, que defendem seus pontos de vista, e, assim de facção em facção, pode-se compreender a imensidade da luta dos trabalhadores da Verdade. Nas colônias de antigos remanescentes da África,” - conta ela – “vim conhecer costumes esquisitos, como bailados estranhos, ao som de músicas bizarras que me deram a impressão de fandangos, tão da preferência dos escravos no Brasil”. Décadas depois, em meio ao acervo constituído das milhares de cartas/mensagens psicografadas publicamente em reuniões na cidade de Uberaba (MG), perante público procedente de várias partes do País, ostentando diferentes níveis intelectuais, evidencia-se isso. Na assinada pelo jovem Roberto Muskat, filho de família ligada às tradições do Judaísmo, desencarnado aos 19 anos, pouco tempo após seu retorno ao Plano Espiritual, recordando suas primeiras impressões, relata ter participado no educandário-hospital em que convalescia de cerimonias cultivadas pelos seguidores de sua religião. Outro detalhe importante é que o abrigo se encontra em “Erets Israel, ou Terra do Renascimento, cuja beleza é indescritível”. Já Helio Ossamu Daikura, carinhosamente apelidado Tiaminho, integrante de família de Budistas, desencarnado em acidente de transito aos 5 anos, segundo o Espírito Bezerra de Menezes em bilhete psicografado aos pais, esteve “abrigado em Templo dirigido pelo Reverendo Sinnet, grande missionário do Bem, na revelação Budista”. Já a artista Clara Nunes, desencarnada trinta dias após se submeter a cirurgia considerada simples que lhe impôs o coma e a desencarnação por reação alérgica a anestésico a ela ministrado, relatou em carta psicografada à irmã ter acordado “num barco engalanado de flores, seguido de outras embarcações, nas quais muitos irmãos entoavam hinos que me eram estranhos. Hinos em que o amor por Iemanjá era a tônica de todas as palavras. Os amigos que me seguiam falavam de libertação e vitória. Muito pouco a pouco, me conscientizei e passei da euforia ao pranto da saudade, porque a memória despertava para a vida na retaguarda(...). Os barcos se abeiravam de certa praia encantadoramente enfeitada de verde nas plantas bravas que a guarneciam. Quando o barco que me conduzia ancorou suavemente, uma entidade de grande porte se dirigiu a mim, com paternal bondade, e me convidou a pisar na terra firme”. Como se vê, a natureza realmente não dá saltos. Diante disso, consegue-se entender a ponderação de Allan Kardec segundo a qual, “a facilidade com que certas pessoas aceitam as ideias espíritas; das quais, parece, tem intuição, indica que pertencem ao segundo período”, ou seja, aquele em que o Ser começa a se desprender das preocupações eminentemente sensórias e perseguir as conquistas intelectuais.

sábado, 6 de setembro de 2014

DUROS DE CORAÇÃO

Procedimentos terapêuticos como Constelação Familiar desenvolvido pelo alemão Bert Hellinger demonstram o acerto da revelação apresentada pelo Espiritismo ainda no século 19 sobre o fato de que “um indivíduo renasce na mesma família, ou, pelo menos, os membros de uma família renascem juntos para constituir uma família nova noutra posição social, a fim de apertarem os laços de afeição entre si, ou reparar agravos recíprocos”. Por sinal, a informação de Allan Kardec, vai além, dizendo que "embora  compromissos assumidos por famílias, não são resgatados por descendentes, visto que ninguém paga pelos erros de outrem", reencarnando no mesmo grupo familiar, o infrator ressurge como, por exemplo, bisneto de si mesmo, no sentido de retificar insensatas ações.  O desconhecimento dessa visão da família resulta, porém, em muitos fracassos nos programas evolutivos cumpridos em nossa Dimensão, bem como, na morosidade com que o Ser avança mais alguns passos no caminho do progresso espiritual. Prova disso nos é oferecida no excelente livro FILHOS DA DOR (inteLitera, 2010), do professor, Mestre em Direito Penal e Delegado de Polícia Vilson Disposti, que sensibilizado pelos casos que observava no exercício de suas atividades em prol da garantia de Lei, fundou uma instituição denominada Casa do Caminho Ave Cristo, na cidade  de Birigui, interior de São Paulo.  A obra prefaciada pelo médium Divaldo Pereira Franco, constitui-se num dos mais bem escritos trabalhos a respeito de um dos avassaladores e crescentes problemas – na verdade, um sintoma -, enfrentado pela sociedade contemporânea: a dependência química. Expõem ser sua origem não só repercussão do modelo familiar vivenciado por parte da sociedade desde o final do século XX, mas, também da dureza de corações nele reunidos. Isso fica patente, sobretudo, nos exemplos selecionados pra ilustrar os argumentos do inspirado e experiente escritor. Num deles, “os pais de um rapaz de 25 anos, que lutavam para afastar o filho da dependência, crendo que a retirada do mesmo do meio social em que vivia solucionaria o problema, decidiram enviá-lo a outro país, e tendo adotado as providências necessárias, inclusive do emprego garantido, às vésperas da viagem, viram o filho desaparecer por duas semanas com o dinheiro reservado e o único carro da família, após o que o impediram de entrar em casa, decidindo que deveria ser excluído da família, o que o levou a morar na rua, disputando com outros viciados, a guarda de carros estacionados, e, mesmo convencido por amigos a internar-se no Centro Ave Cristo, abandonou a terapia, preferindo a condição de morador de rua, recusando-se a qualquer tratamento”. Noutro, repete a resposta de um dos assistidos da instituição que “indagado se saberia dizer o que o teria levado às drogas explicou ter sofrido muito com a separação de seus pais, que seu genitor constitui nova família, não lhe dando mais atenção, limitando-se ao pagamento obrigatório da pensão alimentícia. Executivo de uma das maiores construtoras do país, quando comunicado de sua dependência química aos 15 anos, ignorou, pedindo para não ser aborrecido com esse assunto, dizendo que "só vai para a droga quem quer". A razão de ter procurado a clínica era sair das drogas para mostrar a ele, ser capaz, na esperança que o pai ainda sinta orgulho dele”. Três meses após a internação demonstrando evidentes sinais de sua recuperação, questionado sobre o que de tristeza em seu semblante, desabafou dizendo de sua ansiedade por uma carta ou ligação telefônica de seu pai, infelizmente frustrada, indagando se ele havia feito contato com a clínica. Efetivamente, procurado, agradecendo a tentativa de ampará-lo, o genitor declarou ser o filho maior de idade, nada mais podendo fazer por ele. Quanto à mãe, às vésperas da liberação do moço dos oito meses do bem sucedido tratamento, antecipando-se à manifestação do filho em tenso diálogo que mantinham, declarou: - “Desejaria deixar claro uma coisa: eu não vou abrir mão da minha cervejinha diária. Em minha geladeira, sempre guardo algumas de reserva e agora esse menino vem com essa conversa de que tem medo de não se segurar por causa disso. Assim, ele não poderá voltar a morar comigo”. Como dito pelo psicanalista Eduardo Kalina, várias vezes citado pelo Dr Vilson Disposti, “o desejo tóxico é induzido socialmente, para diminuir as ansiedades geradas pelas frustrações afetivas”. O livro é permeado por outros impactantes exemplos, constituindo-se em importante instrumento de avaliação do grave problema social, para, não só no seu enfrentamento, mas quem sabe também sua prevenção.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

INFLUÊNCIAS INCESSANTES

Falando sobre a existência do Mundo Invisível, Allan Kardec afirma que o Espiritismo “prova sua existência por fatos patentes, irrecusáveis, como o microscópio provou a existência do mundo dos infinitamente pequenos. Tendo, pois, demonstrado que o Mundo Invisível nos envolve, que é essencialmente inteligente, pois se compõe das almas dos homens que viveram, concebe-se facilmente que possa representar um papel ativo no mundo visível e produza fenômenos de uma ordem particular”. Adiciona mais dizendo que “o Espiritismo não só demonstra a sua existência, mas o apresenta sob um aspecto tão lógico que não há lugar para a dúvida de quem quer que se dê ao trabalho de estuda-lo conscienciosamente”. Desenvolvendo raciocínios para explicar a influência exercida sobre o Plano dos Encarnados, ou seja, deste em que momentaneamente estamos vivendo, Allan Kardec escreveu na REVISTA ESPÍRITA de dezembro de 1862 : - “O primeiro ponto que importa bem se compenetrar, é da natureza dos Espíritos, do ponto de vista moral. Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, e não sendo bons todos os homens, não é racional admitir-se que o Espírito de um perverso de súbito se transforme. Do contrário seria desnecessário o castigo na vida futura. A experiência confirma esta teoria ou, melhor dito, a teoria é fruto da experiência. Com efeito, mostram-nos as relações com o Mundo Invisível, ao lado de Espíritos sublimes de sabedoria e de conhecimento, outros ignóbeis, ainda com todos os vícios e paixões da Humanidade. Após a morte, a alma de um homem de Bem será um bom Espírito; do mesmo modo, encarnando-se, um bom Espírito será um homem de Bem. Pela mesma razão, ao morrer, um homem perverso dará um Espírito perverso ao Mundo Invisível. E, assim enquanto o Espírito não se houver depurado ou experimentado o desejo de se melhorar. Porque, uma vez entrado na via do progresso, pouco a pouco se despoja de seus maus instintos: eleva-se gradativamente na hierarquia dos Espíritos, até atingir a perfeição, acessível a todos, pois Deus não pode ter criado seres eternamente votados ao mal e à infelicidade. Assim, os Mundos Visível e Invisível se penetram e alternam incessantemente; se assim podemos dizer, alimentam-se mutuamente; ou melhor dito, esses dois mundos na realidade constituem um só, em dois estados diferentes. Essa consideração é muito importante para melhor compreender-se a identidade entre ambos existente. Sendo a Terra um mundo inferior, isto é, pouco adiantado, resulta que a imensa maioria dos Espíritos que a povoam, tanto no estado errante, quanto encarnados, deve compor-se de Espíritos imperfeitos, que fazem mais mal que bem. Daí a predominância do mal na Terra. Ora, sendo a Terra, ao mesmo tempo, um mundo de expiação, é o contato do mal que torna os homens infelizes, pois se todos os homens fossem bons, todos seriam felizes. É um estado ainda não alcançado por nosso Globo; e é para tal estado que Deus que conduzi-lo. Todas as tribulações aqui experimentadas pelos homens de Bem, quer da parte dos homens, quer da dos Espíritos, são consequências deste estado de inferioridade. Poder-se-ia dizer que a Terra é a Botany-Bay dos mundos: aí se encontram a selvageria primitiva e a civilização, a criminalidade e a expiação. É, pois, necessário imaginar-se o Mundo Invisível como formando uma população inumerável, compacta, por assim dizer, envolvendo a Terra e se agitando no espaço. É uma espécie de atmosfera moral, da qual os Espíritos encarnados ocupam a parte inferior, onde se agitam como num vaso. Ora, assim como o ar das partes baixas é pesado e malsão, esse ar moral é também malsão, porque corrompido pelas emanações dos Espíritos impuros. Para resistir a isso são necessários temperamentos morais dotados de grande vigor. Digamos, entre parênteses, que tal estado de coisas é inerente aos mundos inferiores. Mas estes seguem a Lei do Progresso e, atingindo a idade precisa, Deus os saneia, deles expulsando os Espíritos imperfeitos, que não mais se reencarnam e são substituídos por outros mais adiantados, que farão reinar a felicidade, a justiça e a paz. É uma revolução deste gênero que no momento se prepara(...). Assim, facilmente nos damos conta da natureza das impressões que recebemos, conforme o meio onde nos encontramos. Se uma reunião for composta de pessoas de maus sentimentos, estas enchem o ar ambiente do fluido impregnado de seus pensamentos. Daí, para as almas boas, um mal estar moral análogo ao mal estar físico causado pelas exalações podres: a alma fica asfixiada. Se, ao contrário, as pessoas tiverem intenções puras, encontramo-nos em sua atmosfera como se num ar vivificante e salubre. Naturalmente o efeito será o mesmo num ambiente cheio de Espíritos, conforme sejam bons ou maus”.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

REENCARNAÇÃO CONFIRMADA

Cinco anos foi o tempo necessário para que voltasse a reencarnar o jovem Ronaldo Gomes Barroso após ter interrompido a existência anterior através do suicídio aos 28 anos, ingerindo uma mistura de guaraná e formicida. Isso fica demonstrado em pesquisa conduzida pelo Engenheiro Hernani Guimarães Andrade na década de 70 do século XX e incluída na excelente obra REENCARNAÇÃO NO BRASIL (1988, clarim) em que reúne oito dos casos criteriosamente estudados por ele através do IBPP - Instituto Brasileiro de Pesquisas Biofísicas. O interesse do Dr Hernani – como era chamado – pelos temas paranormais começou quando tinha entre 16/17 anos, durante uma reunião entre amigos na casa de um espírita convicto chamado Francisco de Paula Domingues, por volta de 1930. Paralelamente às lutas necessárias à sua formação superior, o casamento e a manutenção da família, tornou-se um pesquisador do vasto assunto, publicando no final dos anos 50, a ousada TEORIA CORPUSCULAR DO ESPÍRITO e, ao longo dos anos que se seguiram, diversos livros documentando o resultado de suas investigações, observações e conclusões sobre o que ele chama de PSI-QUÂNTICO, A MATÉRIA PSI, POLTERGEIST, entre outras instigantes proposições. Sobre o caso referido no início, servindo-se de criteriosa metodologia, cercou os fatos apurados de garantias que restringem a possibilidade de dúvidas sobre sua autenticidade, aliás, como as demais do livro em que está narrado. Parte de uma família de nove irmãos, noivo, estimado pelos amigos a morte provocada de Ronaldo não se justificava, pois, não havia razões conhecidas para tal atitude. Anos depois, todavia, Martha, sua irmã mais velha, motivada por recorrente sonho em que “se via em uma carruagem que seguia rápida em meio a uma tempestade reconhecendo Ronaldo apavorado correndo no meio do temporal gritando enquanto caiam os raios” buscou auxílio em Centro Espírita, testemunhando manifestação mediúnica, em que Espírito do rapaz dirigindo-se a ela e ao cunhado - aos quais era muito ligado -, revelou ter sido induzido ao gesto radical por influência de um Espírito obsessor, dizendo também que queria voltar, razão pela qual pedia ajuda a ambos pelos laços afetivos que os unia. A coleta de dados mostrou uma série de fatores envolvendo o caso: 1- Após o quarto filho, o médico fez a chamada ligação de trompas – provavelmente não bem feita - para poupar Dona Martha de mais um parto difícil e arriscado. 2 - Ela contava 39 anos quando foi confirmada a gravidez cogitada em revelação espiritual no Centro Espírita frequentado. 3 – Na comunicação ocorrida antes de saber-se gravida, o casal ouviu que Ronaldo renasceria num corpo feminino e teria um corpo sadio, dissipando os temores de dos futuros pais que consideravam o fato do envenenamento na vida passada. 4 – A entidade responsável pela revelação disse também que quem sofreria as consequências seria a futura mãe que efetivamente durante a gestação ficava com a boca em carne viva pelas feridas que se formavam, sentindo-se como que roída por dentro, com tremores, como se estivesse morrendo, retornando à normalidade em meio a orações que eram feitas. 5- No oitavo mês de gestação, após uma queda resultante da perda dos sentidos, Dona Martha deixou de sentir o feto, recuperando seus sinais de vida após ingerir chá de uma erva de nome “funcho”, atendendo orientação espiritual. Quanto ao reencarnante, entre outros, apurou-se: 1- Chamada Jacira, nasceu mulher, pesando 5 quilos, sadia, sem defeito algum. 2- Revelou-se uma criança precoce, aprendendo andar aos nove meses, pronunciando algumas frases aos dez; aos onze fazendo algumas referências à encarnação anterior, inquirindo a mãe acerca da dualidade do seu relacionamento familiar, estranhando o parentesco com os tios, que foram irmãos de Ronaldo, com a própria avó que lhe fora mãe e com Dona Martha, irmã de outrora. 3- As referências a fatos da vida passada tornaram-se mais frequentes após os 18 meses, crescendo de intensidade até os quatro anos, mais ou menos, extinguindo-se na puberdade. 4- Desde pequena, manifestava aversão a liquidos de coloração vermelha, relacionando-os com veneno. 5 – Desde um ano, Jacira evitava a fotografia da personalidade anterior, mostrando desagrado ao ver o cartão de lembrança da missa de Sétimo Dia referente à morte de Ronaldo. 6- Quando tinha um ano e meio, lembrava-se de certa ocasião em que como Ronaldo, uma vaca chamada Morena investiu contra ele e os irmãos, obrigando um deles, o João, a acudi-los, atirando-os apressadamente para dentro de uma casa. 7- Quando tinha dois anos e meio recordava-se de quando seu Tio João – irmão mais velho de Ronaldo – caiu dentro de um açude. Muitas outras informações foram reunidas e cruzadas no sentido evidenciando a veracidade desse caso de reencarnação do Espírito identificado como Ronaldo/Jacira.